n8n, Zapier ou Make: qual escolher numa pequena empresa
Comparação honesta de preço, curva de aprendizado, integrações e LGPD entre n8n, Zapier e Make, com os modelos de cobrança oficiais e uma lição de backup.

Zapier, Make e n8n resolvem o mesmo problema: ligar as ferramentas da empresa para que ninguém copie dado de uma tela para outra. A diferença está em como cada um cobra, em quanto exige de quem usa e em onde os dados ficam. Eu uso n8n e vendo serviço com ele, então tenho um viés. Vou tentar compensar mostrando onde os outros dois ganham.
Os três lado a lado.
Zapier
por tarefa
Bom para: o mais fácil de começar; poucos fluxos curtos, sem perfil técnico
Cuidado: a conta cresce rápido com fluxos longos
Make
por crédito, em geral um por ação
Bom para: visual e flexível; fluxos com ramificação e volume médio
Cuidado: créditos não usados expiram no fim do período
n8n
por execução completa (Cloud) ou custo de servidor (self-hosted)
Bom para: o mais poderoso e com mais controle; fluxos longos, volume ou exigência de dados
Cuidado: pede mais de quem mantém
Quem tem pouco volume e nenhum perfil técnico costuma ficar bem no Zapier ou no Make. Quem tem fluxos longos, volume ou exigência de dados costuma ganhar com n8n.
Todos os preços abaixo vêm das páginas oficiais e estão em dólar ou euro, como são publicadas. Confira a página antes de decidir, porque eles mudam.
Como cada um cobra.
Os planos de entrada pagos, com cobrança anual:
US$19,99
por mês no Zapier Professional, 750 tarefas
US$9
por mês no Make Core, 10.000 créditos
€20
por mês no n8n Cloud Starter, 2.500 execuções
Zapier: por tarefa
Segundo a página de preços do Zapier, o plano gratuito inclui 100 tarefas por mês, com fluxos de dois passos. O plano Professional, que libera fluxos com vários passos, começa em US$19,99 por mês no plano anual para 750 tarefas, e sobe para US$49 (2.000 tarefas) e US$129 (10.000 tarefas). No pagamento mensal, os mesmos pacotes custam US$29,99, US$73,50 e US$193,50.
Uma tarefa é contada quando o Zapier completa um passo com sucesso. Gatilhos, filtros e as ferramentas internas de formatação não contam, e ação que falha também não.
A conta cresce sem aviso. Um fluxo com cinco ações bem-sucedidas consome cinco tarefas a cada execução.
Make: por crédito
Na página de preços do Make, o plano gratuito traz 1.000 créditos por mês e no máximo 2 cenários ativos. O Core custa US$9 por mês para 10.000 créditos, o Pro US$16 e o Teams US$29, com os mesmos 10.000 créditos e mais recursos. A página diz que o pagamento anual economiza 15% ou mais.
Cada ação de módulo num cenário consome, na maioria dos casos, 1 crédito, e algumas funções de IA consomem mais. O módulo roteador não é contado. Os créditos não usados expiram no fim do período.
n8n Cloud: por execução
A página de preços do n8n lista, com cobrança anual, o plano Starter a €20 por mês com 2.500 execuções e o Pro a €50 por mês com 10.000 execuções. O Business, a €667 por mês e 40 mil execuções, hoje é só para hospedagem própria.
A diferença de lógica é essa: uma execução é uma rodada completa do fluxo, e a página diz que o número de passos e o volume de dados não mudam a contagem. Um fluxo de 15 passos custa o mesmo que um de 2. Para fluxos longos, isso muda a conta.
n8n self-hosted: grátis, mas não de graça
A documentação do n8n descreve a Community Edition como gratuita, sem chave de licença, com quase todo o conjunto de recursos. Ficam de fora recursos para times, como SSO, projetos, ambientes e controle de versão com Git. A licença é do tipo "fair-code" (Sustainable Use License), que permite uso interno e restringe revender o n8n como produto.
O custo real está em outro lugar: servidor, atualizações, backup, monitoramento e alguém que saiba o que fazer quando algo cai. Isso é tempo ou dinheiro, e quase sempre é a parte esquecida na conta.
Curva de aprendizado.
- Zapier é o mais simples. Um usuário não técnico monta um fluxo de dois passos em minutos.
- Make é visual, com ramificações e iteração, e pede um pouco mais de raciocínio sobre dados.
- n8n também é visual, mas assume que você entende de API, JSON e erro de requisição. Em troca, permite código quando o bloco pronto não basta.
Quanto mais lógica o fluxo tem, mais o n8n e o Make compensam o esforço.
Integrações.
O Zapier tem o catálogo mais largo de aplicativos prontos. O Make e o n8n têm menos, mas qualquer um dos três consegue falar com um sistema que tenha API ou webhook. Para ERPs brasileiros e sistemas menores, o que decide quase nunca é o catálogo, é se existe uma API acessível. Se existe, os três dão conta. Se não existe, nenhum dos três resolve sozinho.
Onde ficam os dados, e a LGPD.
Nos serviços na nuvem (Zapier, Make e n8n Cloud), os dados dos seus clientes passam por servidores de terceiros, normalmente fora do Brasil. A LGPD trata de transferência internacional de dados no capítulo V, e isso pode exigir cláusulas contratuais e cuidado com o que passa pela ferramenta. Antes de contratar, veja a região de hospedagem oferecida por cada plano e o contrato de tratamento de dados.
Hospedar o n8n em servidor próprio dá o controle mais direto: você escolhe o país e quem acessa. Em troca, a segurança e o backup passam a ser seus.
Quando cada um vale.
- Zapier vale para poucos fluxos curtos, sem perfil técnico na equipe, em que o tempo de montar importa mais do que o preço.
- Make vale para fluxos com ramificação e volume médio, para quem aceita aprender uma ferramenta visual.
- n8n Cloud vale para fluxos longos e volume crescente, sem querer cuidar de servidor.
- n8n self-hosted vale quando o controle dos dados pesa, ou quando o volume tornaria a conta por tarefa pesada, e há alguém para manter a máquina.
A lição que o self-hosted cobra.
Hospedar é uma troca: você economiza na mensalidade e assume a operação. Eu aprendi isso do jeito difícil. Meu n8n abriu na tela de primeira automação com onze workflows "sumidos", por três erros silenciosos em Docker, sem nenhum alerta. O banco estava intacto no disco; o n8n é que olhava para outra pasta. Contei tudo em Meus 11 workflows do n8n sumiram.
A conclusão prática é simples. Self-hosted exige:
- Backup do banco, dos workflows exportados e da chave de criptografia das credenciais, guardados fora do servidor;
- Teste de restauração, porque backup que nunca foi restaurado não conta;
- Alerta de indisponibilidade, para a automação não ficar parada em silêncio por semanas.
Se ninguém vai fazer isso, o n8n Cloud ou um plano de outra ferramenta é a escolha mais segura.
Quanto eu cobro.
Eu faço automação com n8n e os valores estão publicados:
- R$690 por fluxo, mais R$190 por mês para manter até 5 fluxos.
- Pacote com 3 fluxos por R$1.790.
Cada fluxo sai com alerta de falha, backup e documentação. Se o n8n ainda não existir, a instalação entra na proposta. Se hoje você usa Zapier ou Make, posso migrar: os fluxos são refeitos, e os dois rodam lado a lado até o novo provar que acerta. O preço sobe com sistemas sem API, migração de muitos fluxos e revisão humana no meio do processo. A mensalidade cobre a manutenção, e o mínimo é de 6 meses. Detalhes em automação com n8n e na página de automação.
Como escolher sem errar.
- Liste os fluxos e conte os passos. Cinco passos a 500 execuções por mês é muito diferente de dois a 50.
- Calcule pelo modelo de cada um, não pelo preço de entrada.
- Decida quem vai cuidar. Sem ninguém, evite o self-hosted.
- Veja onde os dados passam, principalmente os de cliente.
- Comece com um fluxo. Prove o valor antes de montar dez.
Se quiser uma segunda opinião sobre o que vale automatizar na sua empresa, me chama: depois de uma conversa curta, você recebe por escrito os fluxos propostos e o valor fechado.
Quer saber quanto fica o seu?
Me conta o que você precisa. Depois de uma conversa curta, o valor fechado vai por escrito.